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19 julho 2017

Morando em Friburgo




Desde outubro do ano passado, comecei um novo capítulo na minha história. Larguei minha vida boêmia (cof cof) do Rio pra me aventurar na Serra do Rio de Janeiro com as crias. Há algum tempo eu tinha decidido que precisava de um recomeço. De preferência bem longe do barulho da cidade grande e dessa selva de concreto que a gente vivia.

 Eis que decobrirmos a Escola Waldorf em Friburgo. Um sonho de pedagogia! E a cereja do bolo: pública. Óbvio que não seria fácil de conseguir vaga...É muito concorrida! Mas resolvi dar um salto rumo ao desconhecido assim mesmo. Eu não tinha absolutamente NADA a perder. Encontramos uma casa muito próxima da escola e estamos na fila de espera. Mas por enquanto, ganhei um cartao postal toda vez que eu abro a janela. O canto dos passarinhos pela manhã e ao final do dia...um clima maravilhoso, muito mais segurança e liberdade pras crias, e o mais incrível de tudo: SILÊNCIO!

As pessoas aqui são tão educadas, que às vezes chega a ser chato hahahahaha Mas prefiro a chatice delas do que a falta de educação que a gente sentia na pele diariamente em Caxias (com música no ultimo volume, baile funk no meio da rua até 4 da manhã). Sinto falta evidentemente de algumas coisas. Tais como estar perto da minha família, ter o centro comercial pertinho de casa (10 min à pé) e o Sol. Puta merda!

Nunca pensei que eu fosse sentir falta do Sol, mas tô sentindo sim. Nos dias mais frios aqui no inverno, o termômetro chega bem perto de zero. Eu como boa carioca que sou, tô enfiada debaixo das cobertas e só saio quando é extremamente imprescindível. Porque a vontade é não sair pra nada mesmo u.u Mas a gente se vira com 3 cobertores, vários layers* de roupa, secador de cabelo pra esquentar o colchão e chazinho antes de dormir.

Num panorama geral, Friburgo é um sonho de lugar. Tem seus defeitos e limitações, claro. Como qualquer lugar. Mas dá pra rebolar e ter uma boa vivência aqui. Maaas, se você pretende vir morar pras bandas de cá, eu devo fazer algumas considerações que podem ser muito importantes;


1-Nova Friburgo é uma cidade EXTREMAMENTE tradicional e provinciana. Principalmente quando se trata de costumes e mentalidade. Eu tenho milhares de amigos gays e fora do padrão aqui. Mas a opinião é unânime. Todos sofrem com preconceito, e a maioria quer colocar o pé na estrada.

2- Transporte aqui é um saaaaco! Mesmo pra quem está acostumado com as condições precárias de transporte público urbano na cidade grande, vai ter um baquezinho aqui. No bairro que eu moro por exemplo (Cônego), os ônibus em teeeese, passam de 30 em 30 min. Mas quando atrasam, vc fica 1h no ponto de ônibus. E só tem 1 linha de ônibus dependendo da altura que você mora. Ah, sim! E custa uma baba! R$3,95 pra um trajeto de no máximo 10 min de percurso.

3- Simplesmente NÃO TEM roupa pra gordo aqui. Nem pra homem, nem pra mulher. Quando você garimpa MTOOOO, vc acha uma peça ou outra, e custa um rim.

4- A voltagem aqui é 220v. Eu me fodi. Todos os meus eletrodomésticos são 110v. Tive que adquirir um transformador pra geladeira e máquina de lavar. O microondas eu revezo quando uso. Uma foda.

Se por um lado rolou uma grande baque cultural e climático, por outro me encontrei. Encontrei sossego. Encontrei inspiração, novas possibilidades, e...um novo amor. O último amor. rs Numa cidade tão pequena, encontrei o amor da minha vida. Ficamos noivos hoje. Casamos no final do ano que vem se tudo correr como esperado hahahaha Então, no final das contas, eu to feliz sim. Feliz pra kct! Mudar é sempre bom. Recomendo u.u

Até a próxima, people!

16 março 2016

Adeus Estocolmo...


Pra ouvir lendo: http://bit.ly/1nPrmbP

Eu fico me perguntando como essa síndrome de cachorro abandonado acontece... em que momento do "eu não te amo" e o "eu não quero estar com você", a porcaria do coração entende "fique loucamente obsecado por esse ser humano"... Mas depois de algumas boas porradas da vida, a gente começa a enxergar as prioridades e acordar. O que era importante, vai aos poucos deixando de ser. Como dizem por aí: "Quem muito se ausenta, uma hora deixa de fazer falta". E olha, deixa mesmo...
A gente começa a entender que o melhor pra gente, nem sempre é o que a gente quer. E eu posso dizer que estou me curando... Só se vê a cicatriz. Mas o tempo vai passar, e ela vai sumir...Eventualmente. E eu sei, que quando eu me curar, você vai mudar de idéia. Mas dessa vez, eu te juro, que vai ser tarde demais. Baby, I'm sorry, but you had your chance. 

*Síndrome de Estocolmo: é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor.

06 fevereiro 2016

Adeus


Eu decidi que queria e ia sim te esquecer. Daí fui forte. Não chorei. Fiquei atenta aos meus pensamentos pra não levar rasteira de mim mesma. Mas, a vida não é justa né? Eis que chego contente e parcialmente recuperada da porrada e dou de cara com vc no corredor. Olhei pra vc e quis que a Terra me engolisse. Mas que não sobrasse nem ossos. Sabe aquela musiquinha beeeesta, velha: “te ver e não te querer, é improvável é impossível. Te ter e ter que esquecer, é inusportável a dor, é incrível...” Pois é. É bem por aí. E apesar de tudo que eu disse, eu entendo seus motivos. Embora não concorde com eles, eu respeito e entendo o porque.
Mas eu preciso que vc entenda o quanto isso é difícil pra mim... o quanto é difícil manter minhas atividades cotidianas tendo você por perto. Ingerir o meu almoço vendo você na mesa logo à minha frente com a sua meia branca com ziguezague azul bem na minha frente e a sua gargalhada contagiante invadindo os meus ouvidos... você é um idiota ÚNICO. Que vai ser impossível de substituir. Porque você cativou uma parte de mim que até então estava escondida, obscura, esperando alguém que entendesse. Esse alguém é vc.
Eu te deixo ir. E vou também. Mas saiba, que o meu coração ficou sim em pedaços, e nunca mais será o mesmo sem a sua risada torta, sem seu sarcasmo, sem nosso “dormir de conchinha”, sem o seu cheiro no meu cobertor... Adeus...

12 janeiro 2016

Sobre o amor e suas coisas...


Comecei uma busca despretensiosa por uma imagem pra ilustrar esse texto sobre amor, e a capacidade de realmente, amar. A maioria dos resultados da busca foi algo como: "Sinais de que você encontrou sua alma gêmea" ou "Como saber se um relacionamento vai durar". Acho que a partir daí, já conseguimos identificar graaaandes problemas.

O que mais se ouve dos amigos solteiros hoje em dia, é que o "mercado" ta péssimo. Ninguém quer nada com nada. Cada um por si e só "venha a nós". Sabe porque? As pessoas estão cada vez mais vazias. Procurando respostas nos galhos, que só podem ser encontradas nas nossas mais profundas raízes. Parece clichê, mas é real.

Quando um relacionamento dá errado, ou tá desandando, um hábito comum, é projetar em pessoas que a gente mal conhece, expectativas que o relacionamento anterior não supria. E isso, é um tiro (de bazooka) nos dois pés. E quando tudo sai exatamente oposto do que a gente esperava, o que a gente faz? Culpa o outro. É impressionante como a gente abusa do direito de por a nossa culpa nos outros quando estamos decepcionados.

Mas a verdade é que temos que ser bons sozinhos. Temos que já entrar num relacionamento, sabendo que a outra pessoa tem defeitos, tais como você! Se você espera qualquer outra coisa, está criando motivos pra se frustrar. Até porque, não importa quão bem você conheça uma pessoa, isso sempre está fadado a mudar. Existem milhaaares de fatores variáveis nessa equação, que normalmente, desconhecemos. Então, o primeiro passo, é sempre olhar pra dentro. Esteja em primeiro lugar, bem resolvido consigo mesmo. O amor não mora em casa ocupada ou mal arrumada.

Outro dia disse pra um amigo que me disse que queria amar sempre como a primeira vez, que o amor é uma escolha. É a escolha convergente de duas pessoas falhas, que se gostam, e que decidiram mutuamente se aceitar com todas os seus defeitos, para enfrentar as adversidades da vida, celebrando a presença um do outro, sem desistir. E na realidade, essa é a condição propícia para preservação do amor, ou nascimento do mesmo. Quando duas pessoas se gostam, se aceitam, se respeitam, se admiram, e escolhem estar ao lado uma da outra, tooodos os dias, o amor é consequência. Assim como a alegria de estar em boa companhia. Qualquer outra euforia não co-relacionada com quaisquer dos itens acima citados por mim, é paixão, obsessão ou teimosia.

Eu vejo tanta gente em dúvida...- "ai sei lá se eu amo fulano, cicrano...". Relacionamentos efêmeros e sem propósito, por falta de bom senso. O amor, não deixa dúvidas. Você sempre sabe que é amor. SEMPRE. Você pode ter dúvidas sobre inúmeras coisas, mas se estamos amando, é impossível não saber, não sentir, não perceber. É incrível amar. Porque uma vez que você ama, não existem dúvidas. O amor se basta. 

21 setembro 2015

Geração Fast Tudo



O ano é 2015, e as pessoas tem pressa. Pressa e paciência quase zero. O individualismo e o capitalismo reinam absolutos. Você vale o tem, não o que é. Ou assim pensa a grande maioria que não tem paciência pra criar nada do zero. Essa geração quer tudo pronto e pra ontem. A comida, industrializada e calórica. As roupas uma repetição em série da mesma moda de sempre. A população vai ficando cada vez mais sedentária e preguiçosa. Existe um pequeno movimento verde, que nada contra a maré. Abraça a causa animal, tenta se reconectar com a natureza e manter a saúde em dia. São pessoas que tem paciência. Que meditam, que não buscam coisas efêmeras e que se perdem no tempo. Mas essas pessoas são raras. Muito raras. Dificilmente você vai encontrá-las nas grandes metrópoles. Nas selvas de concreto. Essas pessoas se refugiam do mundo, que como eu dizia antes, está doente. Torto, estranho e com valores completamente distorcidos. As pessoas não conseguem mais enxergar o valor de uma jornada a longo prazo. Querem tudo pra já e quando tem, já não querem mais. Não criam mais vínculo com absolutamente NADA. Tudo é descartável e sem valor ao olhos dessa geração que cultua o novo, o inédito, o pronto. Todo mundo deseja um diamante, mas ninguém quer se dar o trabalho árduo de lapidá-lo. Sujar as mãos para extrair a pedra. Pra quê, não é mesmo? Pra que criar vínculos? Acordem pessoas. A única coisa rápida, é o tempo que tá passando, e você preenchendo vazios com mais vazios.

09 setembro 2015

A Ovelha negra da família


Eu não sei exatamente como eu me tornei, bem,...eu. Mas alguma coisa deve ter dado muito errado no meio do caminho. Porque basta uma conversinha muito básica, pra saber que eu sou a ovelha negra da família. Nem sou revoltada, ou trumatizada, ou qualquer coisa do gênero. Só acho que descobri muito cedo que a vida é muito fucked up. Fui protegidinha do papai e da mamãe até os 23 anos. E essa proteção toda na realidade só me mimou. Me distanciou da realidade. Fui criada a base de "pão de ló", com direito a tudo do bom e do melhor. Mas como dizem por aí...A quem muito é dado, muito é esperado. E digamos que, eu não me tornei exatamente o que esperavam que eu me tornasse. Aos 23 engravidei da Alice, e minha vida mudou. Aliás, não só mudou. Virou do avesso! E eu me virei como pude pra me adaptar. Tenho lá minhas frustrações, é bem verdade. Mas no final das contas, estou satisfeita com quem eu sou. Posso até não ter conquistado tudo que eu gostaria até esse ponto da minha vida, mas com certeza fiz mais que muita gente da minha idade. Os parâmetros sociais de felicidade atuais nunca me representarão. Morro pobre e sozinha, mas não me rendo a um emprego escravizante e burocrático por dinheiro, nem a um relacionamento abusivo sem amor por conforto e segurança financeira. Isso nunca serei eu. Jamais.


08 janeiro 2015

Romantizar= Idealizar


De repente, me dei conta que romantizo demais as coisas. Mesmo sabendo que em 90% das vezes eu to indo pelo caminho errado, vou contra todas as minhas próprias indicações de não criar expectativas. Crio um monte, e todas na contramão da realidade. Como resultado, eu quebro a cara.
Mas devo ser justa com a minha pseudo maturidade e admitir que a vida tem me poupado de muita roubada. As desilusões tem acontecido ANTES que eu me ferre. E apesar da verdade dar fim ao encanto, eu pelo menos me poupo algumas lágrimas, alguns lenços de papel e músicas do legião.
Dizem que a verdade dói, mas liberta. E liberta mesmo...Te livra de viver uma situação pior do que a que você viveu (se é que chegou a viver). Às vezes parece uma dor horrível, mas é uma dor boa. É a dor da liberdade. Você não é mais refém das suas próprias idealizações.

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